20 novembro 2009

O amargo que passa

Assustada com o tamanho da porção de jiló que eu servi na hora do almoço, a amiga de minha sobrinha fez uma careta medonha e questionou:
_ Tia, como é que você consegue comer isso?
Eu só ri e enfiando uma garfada bem generosa na boca, respondi sorrindo:
_ Eu gosto, uai!
E ela:
_ Mas não é amargo?
Ainda de boca cheia, eu disse:
_ Sim, bastante.
E ela fez aquele ar de quem é respondido, mas não fica satisfeito com a resposta. E continuou fazendo careta a cada garfada que eu comia com satisfação. Ainda achando engraçado, pensei nas perguntas dela.
E, no fundo, a dúvida dela tinha razão de ser. Afinal, o amargo tende a ser rejeitado pelo nosso paladar. E fiquei pensando no que me leva a gostar tanto de
jiló, a ponto de ter episódios de fissura, de muita vontade mesmo de comer.
Pensei na sensação de mastigar, no gosto, que é mesmo muito amargo. Ela lá me olhando, sem entender como é que eu gostava tanto e como eu podia engolir algo amargo com aquela "boca boa".
Refleti, comparei, calculei estatísticas. Tudo isso enquanto saboreava a porção amarga do meu prato de jiló. E quando engoli a última garfada, algo se iluminou no meu cérebro já satisfeito da fome.
Levantei-me, a fim de lavar o prato e disse pra ela antes de voltar ao trabalho:
_Minha querida, eu gosto de jiló porque o amargo dele sempre acaba ao fim das refeições , ao contrário do amargo de outras coisas que não quero nem gosto de ver pela frente. E então eu posso saborear o doce, o ácido e outros sabores que o meu paladar aprecia mais.
Acho que ela não entendeu "lhufas" da minha resposta. Mas eu entendi bem...

Certos sabores amargos jamais acabam e não podem ser esquecidos!
E também são inevitáveis, portanto quanto mais cedo nos acostumamos a eles, menos caretas eles serão capazes de provocar em nós.



Pedido pra hoje: Senhor, que os sabores amargos da minha vida sempre passem tão rápido quanto o do jiló que eu adoro comer!

09 novembro 2009

Sutil para sempre



Sutil perceber
o tempo passando
as certezas, cada vez mais, indo embora
E uma briga constante com a hora.
Essa hora que parece que não é mais da gente
Que insiste em andar pra frente
que não pára e pouco se importa com aquilo que a gente sente.
Esquisito notar.
Esse tempo meu inimigo
que se arrasta quando eu quero que voe
que corre quando tudo que eu preciso
é de só mais um minuto comigo (ou contigo?).
Horrível perguntar:
E pra que mais esse minuto?
Se não há mais o que decidir
Se nem há mais o que mudar?
Se a paixão de um minuto atrás
não grita, só fala que não pode mais.
Triste concluir e confirmar
Que o pra sempre já não existe mais aqui.
Mal da idade? Maturidade?
Não importa por que não existe mais.
Só que não existe mais.
Sutil perceber.




Pedido para hoje: Alguém aí, faça com que eu não acredite mais em para sempre.


OBS: Dedicado à minha metade loira, Thatá, irmãzinha que também já percebeu (e também não foi da forma mais sutil) que o pra sempre não existe.

03 novembro 2009

Odeio

Odeio.

Quando meu salto quebra no meio do caminho num dia de chuva...
Quando meus pensamentos secretos são tão fortes que saem pela boca sem que eu perceba.
Quando os meus desejos mais secretos passam como filme nos meus olhos (traidores!).
Quando o meu coração cisma que é a parte mais importante do meu corpo.
Quando as minhas lágrimas ficam pesadas demais pra eu segurar.
Quando os meus planos ainda parecem perfeitos demais mesmo depois de darem errado.
Quando o meu amor pelos outros parece (e não é!) maior do que meu amor por mim mesma.

Odeio.

Quem acha que me conhece e se mete a dar pitaco.
Quem me conhece de fato e age como se não conhecesse.
Quem usa os meus conselhos como arma contra mim.
Quem promete que vai ficar perto e se manda assim que pode.
Quem eu mando embora e fica me enchendo o saco.
Quem aconselha sem aceitar conselhos.
Quem pensa que está certo sem saber de tudo o que interessa.
Quem tem a razão e não toma atitude alguma.

Odeio.

Dia que não decide se é de chuva ou de sol.
Sol que queima e não bronzeia.
Chuva que esfria e não molha.
Beijo que toma tempo e não causa arrepio.
Palavra que sai do nada e termina no nada.
Amor que promete fazer feliz e faz chorar.
Saudade que a gente sente e não dá pra matar.
Vontade que ocupa espaço e não tem jeito de acabar.
Dor que começa sem hora pra terminar.

Odeio, acima de tudo, odiar.

E amo acordar todos os dias e notar
que com você por perto eu não tenho nada pra odiar.

...


Obs: Dedicado a mim mesma. Rsrsrs...


Pedido pra hoje: Senhor, permita que não tenha motivo pra odiar.


27 outubro 2009

Assim sei lá, sabe?


Bom, tenho sentido que a volta (ao blog) agora é pra ficar.
Porque tem tanta coisa aqui dentro guardada. E tem tanto de mim escondido num "tá, eu te entendo", "Ok, você tem razão" ou até num simples "eu sei que isso vai passar".
Tenho pensado muito naquelas frases que as pessoas dizem pra dar uma força quando a gente não está bem. A principal, eu acho, é "Calma, isso vai passar!" Pfff. EU SEI que vai passar, pôxa, só me bate aquele medão de que demore demais e enquanto não passa dói pra c...
Tem também a célebre "Calma, pra tudo tem hora certa!" (essa é a preferida da minha mãe). Affff, EU TAMBÉM SEI que tem hora certa pra tudo, mas vivo me perguntando porque é que a minha tal hora certa não chega nunca. Oras!
Ando concluindo que a mim não adianta muito saber das coisas. Tampouco, posso considerar a minha inteligência quando me dizem "você é uma pessoa inteligente, não deveria cair em certas armadilhas". A ignorância é uma bênção ao ser humano. Entender faz tudo doer mais.
Hoje o dia está mais ou menos e não vejo a hora de chegar em casa e dormir logo, pra vir logo o outro dia e alguma coisa acontecer pra me tirar daqui de dentro de mim.
É, deve ser isso. Alterno entre a vontade de correr pra fora de mim e de me trancar de vez. Sei lá por que nasci assim. Devo ser de outro planeta.


Pedido pra hoje: Senhor, transforme em amor todos os sentimentos ruins que vierem na minha direção.

Indicação do dia: Blog Quase Trinta (http://chegandonostrinta.blogspot.com). Sem palavras pra descrever o que ele me despertou. Leio (na verdade, devoro) e recomendo.


18 setembro 2009

Titia de novo!!

Voltei, voltei, finalmenteee!
Dois meses atrás, minha insppração, assim sem aviso prévio, resolveu dar uma passeada e demorou pra voltar. A bem da verdade, não sei bem se ela já voltou, mas ouvi meu blog me chamando hoje e resolvi vir tirá-lo da UTI. Rsrs.
Se ela depender de felicidade, pode voltar logo. Sou a mais fresca e feliz tia de outro menino. Artur, branquelo e forte como a tia babona aqui.
Aliás, é o meu quarto sobrinho e isso me fez pensar no esforço que minhas irmãs, mais novas que eu, fazem para me deixar na condição de tia. Não ligo de ficar solteira, já até me conformei de ser a da minha geração na minha família. Acho que me entristeço um pouco por pensar no risco de não ser mãe. Afinal, pra isso mulher tem prazo de validade e o meu tempo está passando. KKKKKK!
Talvez, se o trem ficar feio mesmo e a grana permitir eu recorra a métodos artificiais daqui um tempo.
Enquanto isso vou curtindo minha mais nova paixão. Artur. Ele que chega num momento em que a família pedia mais uma criança. Seja bem vindo, Artur, coisa linda da tia Dal.


OBS: Postagem bobinha essa, mas só pra ver se minha inspiração volta de vez, pq tá braba a situação!!

04 julho 2009

A ninfa-bebê


Meu nome é Maria Cláudia. E depois que descobri que o meu namorado (com quem eu já estava há três meses num tórrido romance de cinema francês) já tinha uma namorada (eu era a amante!), entrei em parafuso. E era por isso que estava ali, naquele consultório de dentista (sem estar com nenhum problema dentário) pra ver como era a tal figura que tinha surgido de repente pra melar o meu final feliz.
Depois de alguns dias de pesquisa pra saber onde ELA trabalhava, ali estava eu. Entrei e fiquei esperando pra ser atendida (parada, olhando pra ELA sem acreditar no que via!).
Era ELA! Pele? Quinhentas espinhas na cara e um milhão de marcas de espinhas no ombro. Corpo? Mais pra raquítico que pra magro. Idade? Vinte, no máximo (Affff! Uma ninfa!). Cabelo? Só uma cabeleira enoooorme e lisa, presa por um palito japonês, sem forma, sem balanço (parecendo aqueles religiosos que não cortam o cabelo nunca).
Paralisada pelos meus pensamentos (eu pensei que fosse gritar tudo o que estava pensando), nem ouvi quando a ninfa-bebê me disse um simpático "pois não" (simpático e falso, ?) e devo ter ficado com cara de mais louca ainda quando não respondi de imediato o que tinha ido fazer ali. Aliás, o que eu tinha ido fazer ali mesmo? Na pressa de conferir como era a minha rival esqueci de inventar uma boa desculpa.
"Eu vim falar com a Juliana.", falei o primeiro nome que me veio à cabeça.
Ela fez cara de quem não entendeu e depois de alguns loooongos segundos, colocou um óculos (ninfa míope existe?), pegou o telefone e calmamente disse: "Ju, tem uma pessoa aqui querendo falar com vc." PQP, tinha que ter uma Juliana mesmo naquele prédio?
A ninfa-bebê desligou o telefone, tirou os óculos, pediu que eu esperasse, levantou-se e sumiu por uma porta lá. E eu permaneci parada por alguns segundos, até recuperar a inteligência e sair numa corrida desenfreada até o próximo ponto de ônibus.
Sentada no ônibus, concluí que o meu "namorado" era louco de deixar um mulherão que nem eu pra ficar com aquela figurinha de revistinha teen. Mas paciência. Apaguei o número dele do celular, torcendo pra minha memória deixar de ser boa e ele não insistir em continuar me procurando. Se bem que a imagem da ninfa-bebê me pareceu broxante demais pra eu conseguir ter ainda algum affair com ele.
Moral da história: "Eu sei que eu sou bonita e gostosa"! Perto dela, a ninfa-bebê, sem sombra de dúvida eu o sou. Rsrsrsrs.




Obs: Dedicado a quem já fez isso. Eu ainda não fiz, mas ouvi a história com a certeza de que eu teria feito exatamente igual. KKKKKKKKKKKKKKK!!

25 junho 2009

O problema é se eu me calaaaaar!!!


Já ouvi de ex-namorados que falo demais. Sobre o que eu penso, o que eu tenho medo, o que eu sinto, enfim sobre tudo eu falo demais. Mas como opinião de ex-namorado não é válida (pelo menos, não deveria ser), nem me importava o que eles tinham dito ou deixado de dizer.
Isso, claro, até o momento em que o meu atual disse a mesma coisa. Aí, parei pra pensar, uma vez que ele é atual e eu espero que assim seja por bastante tempo. Rsrsrsrs. Pra tentar me defender de tamanha infâmia (mentira, eu falo demais meeeesmo!!), refleti sobre o tema e a resposta pra ele veio rápida e sucinta.
Pensem comigo. Tudo bem, eu falo demais sobre tudo, mas pior seria se eu me calasse. Porque enquanto eu estou falando, estou tentando resolver o que de alguma forma me desagrada. Se estou tentando resolver significa que ainda acredito na solução e, se tem solução pra mim, o problema não é assim tão grande nem tem força pra minar a minha satisfação no relacionamento.
Muito simples. Se não tiver nada a dizer, ele deve só me ouvir. Se ficar chato demais, que ele faça cara de paisagem e aguente. Se concordar comigo, que me ajude a buscar uma saída (se achar que ela existe, claro). Se discordar de mim, que não diga nem pensar; que só me ouça e balance a cabeça mostrando que está me ouvindo pelo menos.
Melhor será, em qualquer das alternativas mencionadas acima, que ele tenha paciência, porque às vezes eu preciso só externar meus pensamentos pra impedir que eles me enlouqueçam. Rsrsrs. Era pra ser uma resposta sucinta né? Acho que essa palavra (sucinta) não tem muita vez no meu dia nem na minha vida.
Pra encurtar, vou agora mesmo dizer a ele: " Não se incomode com minhas palavras, Amor. Só há problema grave se eu me calar."
O meu barulho é sinal de luta pelo que eu acredito; o meu silêncio pode significar o fim.
Ficou claro?

22 junho 2009

Intuição: eu tenho!!!


Minha intuição é poderosa, o que podem confirmar todos os meus amigos íntimos. Quando dá o nó na garganta e o aperto no peito, posso abrir bem os olhos que a coisa não é do jeito que eu espero.
Gosto desse dom, afinal é um jeitinho de prever o que o futuro me reserva. E de me preparar para o que vai ser diferente do que eu espero.
Mas (sempre há um "mas") tem horas em que ela me derruba. Não por funcionar mal ou me dar pistas erradas. E sim por representar o oposto do meu desejo. Daí rola aquela resistência bem disfarçada de "dúvida" que me faz questionar se não é só coisa da minha cabeça.
Estou aprendendo que minha voz interior sempre me diz a verdade. Caberia a mim somente seguir ou não as suas preciosas dicas. Mas não é que, às vezes teimo em não ouvi-la? E acabo tendo que dizer aquela frase que todo topetudo ouve depois de um malfeito: "Eu bem que te avisei". Neste caso, digo: "Eu bem que tentei me avisar!".
Seria muito simples só sentir o que vai acontecer, se tudo o que realmente importasse fosse o resultado final de cada vivência ou atitude. Mas parei pra pensar e concluí que, em certos momentos, o que precisamos mesmo é de uma boa testada na porta pra saber que dói (isso, claro, no caso não termos ouvido quem já tinha dado a tal testada nos dizendo que doía mesmo).
E nem é necessário buscar onde encaixar essa minha filosofia de buteco, uma vez que os exemplos estão aí, aos montes, prontos para ilustrar minhas palavras em qualquer tempo.
Espero ansiosa o dia em que o meu desejo e a minha intuição vão conseguir dialogar e entrar num acordo, para que eu sinta o gosto de ter as coisas do jeito que eu sonho só uma vez. Porque se inteligência é adaptação ao meio e às situações da vida, eu não quero mais ser inteligente.
Quero ser burra, se isso significar que eu vou ser feliz. Ponto.

14 junho 2009

Saudades eternas...


Ai, meus rompantes de saudosismo me fazem dar muita risada. Visualizem a cena: essa pessoa aqui, que já não é muito séria nada, gargalhando a plenos pulmões de frente para o PC no meio da madrugada. Calma que eu explico.
Primeiro, nem sempre fui essa pessoa linda e jeitosa (quase ia esquecendo, modesta também. Rsrsrs.) , então ver fotos das antigas me faz rir demais. O que é bom, porque significa que eu superei os dias de patinho feio.
Segundo, nem sempre o meu gosto musical foi assim tão, digamos, apurado. E em pequena, fui em todas as ondas que apareciam. E há dias em que desenterro Beto Barbosa, Sidney Magal, Kaoma e, sozinha no meio do quarto, libero a Márcia Ferreira que vive dentro de mim. E rio muito meesmo de mim mesma, parecendo louca dançando lambada de madrugada.
Ah, tem também a minha fascinação por cinema, principalmente os musicais. Às vezes perco mesmo o controle de mim e fico me fazendo de Gene Kelly e "cantando na chuva". Do final da década de setenta, eu ouço a trilha sonora do Grease (Nos tempos da brilhantina) e, como já vi o filme umas mil vezes, sei todas as coreografias, caras e bocas de cada música. Outra cena hilária que me faz dar risada sozinha.
E a música brega então. Esta me faz lembrar de Carol, grande amiga, que um dia baixou umas bem velhas e começou a ouvir. De início, ouvíamos pra dar risada das letras e vocais, mas depois de um tempo percebemos que estávamos era gostando muito de Lindomar Castilho, Sidney Magal, Waldick Soriano e outros que, hoje em dia, me fazem lembrar de nossas performances elaboradas para noites sem sair de casa. Tempo bom demais!
Além disso, tem aqueles pagodinhos românticos (daquela época dos grupos super numerosos de cabelos oxigenados) que embalavam meus namoricos de adolescência. Ouço, lembro a letra inteira e sempre tem uma história boa de lembrar.
E nessas minhas viagens ao passado, eu sempre chego à conclusão de que nasci na época errada. Além, é claro, de sempre concluir de uma vez por todas e toda noite, que eu sou doida mesmo.
Também sempre percebo que isso tudo me faz muito bem e me faz gostar de estar só na minha própria companhia. Dizem que só ficamos bem com os outros se conseguimos ficar bem só conosco. Eu estou conseguindo. Você já tentou fazer isso?
Às Vezes eu comento que gosto e ouço uma crítica do tipo "Credo, como você ouve isso e ainda gosta?" Tá, hoje em dia eu ouço é Madeleine Peyroux, Seu Jorge, Ana Carolina, Vanessa da Mata, Vander Lee e esse povo todo que é bom demais. Meu gosto mudou quando amadureci.
Mas não tenho vergonha do que eu já fui. Eu sou o resultado disso tudo aí que mencionei. E não posso achar ruins coisas que me fazem rir sozinha da vida que eu levei. É o meu jeito de conseguir sonhar com a vida que eu quero ter.
E em qualquer vida que eu levar sempre haverá espaço pra tudo que me fizer feliz.


Obs: Hoje baixei Sidney Magal, Beto Barbosa, Kaoma, Márcia Ferreira e a trilha sonora do Grease que eu tinha só no filme mesmo. Alguém tá a fim? Posso mandar por e-mail... Rsrsrsrsrs...


12 junho 2009

Empatia...



Afinal de contas, o que estava acontecendo com ela? Chorar assim depois de transar com alguém era, no mínimo, ridículo. Mas não pôde segurar e depois de alguns minutos tentando se conter, ela só permitiu que as lágrimas corressem.
E enquanto ficava constrangida, tentava explicar por que estava chorando na frente de um homem que ela mal conhecia. Mas como podia explicar? Ela tinha dificuldade de chorar até na frente dos seus amigos de longa data. Como explicar se nem ela mesma entendia?
O que havia acontecido era a mais simples e pura empatia instantânea. A que jamais acontecera antes. E ela teve vontade de amá-lo e ser amada por ele. Chegou a ficar ansiosa com isso e quis que o tempo passasse logo pra ver e sentir que as coisas poderiam ser como ela desejava.
Abandonou-se ali, depois de uma tórrida noite de amor em que se soltou de maneira completamente natural. E sonhou acordada com a tranquilidade (inédita!) que sentia naquele momento.
Não quis acordar, sem se dar conta de que sequer dormira. Não quis falar, mas seu coração estava tão feliz que o seu corpo inteiro já falara por ela antes. Poderia gritar, mas o silêncio estava tão próximo da perfeição que não careceu fazer mais barulho do que já tinha feito antes.
Pensou em descrever o que estava pensando e sentindo, mas foi desnecessário. Afinal, as palavras já haviam sido descartadas horas atrás. Não precisou dizer nada a ele. Nada do que queria, porque ele já sabia. Palavras só fariam estragar aquele encontro que ela esperava ser o primeiro de muitos.
E nem sabia porque pensava dessa forma. Ela não o amava. Ainda não. Mas sentiu que poderia chegar a isso sem esforço. E que a recíproca também poderia ser verdadeira. E isso era o melhor!
Não. O melhor era conseguir ter vontade de acreditar no que os olhos dele lhe diziam, sensação esquecida há muito.
Ele estava ali, vendo-a chorar e não achava rídiculo. Só queria saber por quê. E ela não sabia dar essa resposta. Mas esperava que ela viesse com o tempo. E queria que o tempo pudesse voar para que suas suspeitas e desejos em relação a ele se concretizassem...
Sua ansiedade era justificada. Não é todo dia que esse tipo de coisa acontece. Não é todo dia que se vê pela primeira vez alguém que já se conhece há anos.


OBS: Pra quem se reconheceu no poke, foi só o mais bonitinho que achei nos meus contatos pra ilustrar. Mera coincidência, juro... Mas se for necessário, eu troco a foto, tá? Rsrsrsrsrsrs.

11 junho 2009

Um ano de blog!

Foto feia, mas engraçada!


Gente, meu blog está de aniversário e, embora eu tenha muitos temas pra abordar, não posso deixar isso passar em brancas nuvens.
Criei o blog por puro egocentrismo, eu acho. Porque eu escrevo muito (em volume de linhas) desde que me entendo por gente. Às vezes eu gostava muito das minhas articulações e ficava com vontade de dividir meus pensamentos.
Agora imaginem o que é escrever à mão e sair mostrando pras pessoas! Cansei de fazer isso e criei o "Impressões". Blog pessoal, de opiniões pessoais e ponto de vista majoritariamente feminino.
Pra minha surpresa, aumentei muito o raio de alcance das minhas ideias. E pra quem pensava que só seria lida pelos próprios amigos, isso é bom demais.
Hoje, um ano depois, o meu balanço é dos melhores, perto do que eu esperava. Tenho mais amigos bem parecidos comigo, tenho um veículo de escape para minhas indignações e declarações, além de trocar ideias com gente que talvez eu nunca fosse encontrar não fosse o blog.
Não posso citar todos, porque minha noção de alcance está longe de ser exata. Mas alguns sempre me dão retorno rápido e estão sempre aqui. Tem o Ronaldo, do blog Penso, logo escrevo, que eu leio e adooooro! Tem a Roberta Lopes que é recente, mas tem tanta coisa em comum comigo que me impressiona, o que me faz devorar o blog dela . Tem o Bruno, do blog Na Geral, amigo especial que não me deixa sozinha em post algum.
Além das pessoas que eu nunca vi ou que eu vejo com pouca frequência, tem as que me conhecem desde sempre e que, depois do blog, me procuram pra conversar sobre tudo e perguntam, ansiosas, pelo próximo post.
Pra ser sincera, já até arrumei namorado por causa do blog, né MB? KKKKKK! Durou pouco, mas foi através do blog.
Então, nesta semana que é aniversário do "Impressões", eu quero só dizer que ele pra mim é multifuncional (1001 utilidades mesmo!). Que está entre as poucas coisas que faço com muito gôsto. em qualquer momento. E que eu espero estar aqui no ano que vem, postando, entre bobagens e genialidades, o que toca o coração das pessoas.
Para que as injustiças sejam corrigidas, os sentimentos sejam extravasados e o canal de comunicação com o mundo fora de mim seja estabelecido. Porque o meu mundo são as letras e é por causa delas que eu consigo chegar aonde eu quero: ao coração e à cabeça das pessoas.

Valeu pessoal!


29 maio 2009

Um pedido pra hoje


Ouvi hoje que a futilidade, ainda que indigesta, pode ser necessária. E me entristeceu ter que concordar com a afirmação.
Eu gostaria de viver num mundo onde as pessoas não primassem tanto pela superficialidade e em que somente as respostas realmente importantes fossem buscadas. E alcançadas, claro!
Mas este meu pensamento me fez sentir tão arrogante. Por que devo me sentir no direito e com propriedade para julgar o que é importante ou não? O que me faz assim tão superior aos que eu julgo fúteis?
A resposta é simples. Meus valores e os das pessoas cujas opiniões eu considero válidas são voltados de uma forma geral para o interesse coletivo. E é isso que eu acho que falta no mundo: capacidade de pensar na existência como uma cadeia de acontecimentos, ações, reações e emoções que interferem diretamente uns nos outros, o tempo todo.
Não que um pouco de egoísmo não seja bem vindo. Claro que há momentos em que só o nosso umbigo deve importar mesmo. Mas abomino pessoas que só falam "eu, meu, minha, comigo..." e por aí vai. Geralmente são pessoas que acham que o mundo deve parar quando algo não vai bem pra elas e isso cansa tanto.
Quero viver num mundo em que as pessoas realmente convivam em harmonia. Onde ninguém se ocupe da vida do outro mais do que deveria. Onde a coletividade e a individualidade tenham o seu valor justo e sua importância considerada só em momentos oportunos.
É utópico, eu sei. Mas quem não chora não mama.

13 maio 2009

Mea culpa? Nananinanão!!!!


Vida de irmã mais velha é difícil. E irmã mais velha bem resolvida então, nem se fala.Minhas irmãs caçulas sempre me procuram quando têm alguma dúvida referente a sexo.
Por mais bem resolvida que eu seja, não pensem que isso é fácil pra mim. Porque rola aquele sentimento de mãe, sabe? Putz, eu troquei as fraldas delas e é tão difícil aceitar que cresceram e que já transam (às vezes, com mais frequência que eu. KKKK!!).
Bom, dia desses, numa conversa descontraída, minha irmã me contou que no início não conseguia gozar porque pensava em mim. Arregalei os olhos, estupefata com a confissão. Porque sempre busquei manter um canal de comunicação e saber que minha irmã não gozava por minha culpa foi demais pra minha cabeça.
Ela até me explicou que ficava preocupada com minha reação quando soubesse que já era sexualmente ativa. Como se eu fosse uma dessas mães que preferem se fazer de morta e não admitir que os filhos cresceram.
Tá, ela só tinha dezessete anos e tinha um monte de dúvidas, blá, blá, blá... E no dia em que ela finalmente me contou, eu suei frio pra agir naturalmente e não fechar o meu canal de orientação. Mas, daí a ser a culpada pelo não-orgasmo dela já era demais mesmo. Até pra mim...
Muitas vezes, acumulamos inúmeras frustrações e é tão mais fácil colocar a culpa nos outros. Talvez ela própria tivesse lá outras preocupações e realmente tivesse, por isso, medo de minha reação. Mas no fim das contas devia ser uma associação de fatores antiorgásticos (se essa palavra não existir, acabei de inventar).
Finalizada a conversa, fiquei com isso na cabeça. E eu lá quero quero ser responsável pelo orgasmo das outras! O meu já me dá trabalho suficiente, às vezes. Depois disso, só faltou pedir pra eu ensinar. E, quando finalmente me perguntou qual era o segredo, não faltava mais nada e eu nem soube o que responder.
Mulher custa a aprender isso e depois que aprende não sabe explicar. É o tipo de conhecimento que não dá pra passar pra frente. Porque é tão íntimo, pessoal e singular que não dá pra explicar meeesmo. Nem em descrição de romance Júlia, Bianca ou Sabrina (sim, eu já li!) fica claro. Aliás, se meus leitores quiserem me dar uma definição, vou gostar de ler. Nunca consegui descrever.
E gente, sei que nem é um post bom, mas eu tinha que escrever sobre isso. Dividir, sabe, minha dura e desconfortável posição de irmã mais velha bem resolvida. Aff! Dá trabalho mesmo!
E, maninha, relaxe que só assim dá pra gozar!

Dedicado às minhas caçulas, que me deixam de cabelo em pé, mas ainda me acham a melhor irmã do mundo! Rsrsrs...

08 maio 2009

Quando se juntam o nada e a coisa nenhuma...

Hoje acordei assim...
Cansada de tudo!
Das coisas de toda hora...
E das que não aparecem todo dia...
Essas coisas que ninguém concorda,
Mas ainda deixa acontecer
Num gesto de hipocrisia total.
Hipocrisia Injustificada!
Porque todo mundo faz tudo
E critica o outro por fazer!
Um tal de sentar-se em cima do próprio rabo
Pra falar do rabo alheio.
Pra descobrir quem usa o rabo alheio!
Afff!
Minha palavra hoje é: misantropia.
Não quero ver gente
E cansei de ser gente!
Não quero nada além do instinto!
Dormir, comer, transar...
Brigar, correr, gritar!
É só o que eu quero hoje
E talvez pelos próximos quinhentos anos.
Ô vidinha besta essa!
Começa toda manhã.
Criando a ilusão do novo,
Do que ainda está por vir.
Pra terminar sempre no fechar de olhos da noite
Sem novidade alguma a perceber.
Ô vidinha insossa!
Vou virar bicho que faço melhor.
E me irrito menos com o fato de ser e ver gente.


Dedicado a quem, como eu, não fica feliz em ser gente! Deve existir mais deste tipo por aí!!

27 abril 2009

Sobre o avulso...

Era lindo! Cada trecho daquele livro era lindo. Uma arte perfeitamente traduzida em letras que, juntas, formavam as verdades que todo mundo sabe e não consegue externar. Pelo menos, os simples mortais não conseguem.
E foi pensando assim que eu devorei aquele livro. Da literatura infantil, mas com densidade e ritmo alucinantes.
Completamente afetada por aquelas verdades, que me pareceram universais, imutáveis e atemporais (de fato, nenhuma o é), quis contar ao mundo a minha descoberta. Fazer alguém vislumbrar o meu ponto de vista, dividir o meu assombro com aquela capacidade de expressão.
Declamei até para fazer compreender: "(...) E lá vou Zé Grande, um homem que é homem como um cavalo é um cavalo e uma pedra é uma pedra, veloz como o cavalo e duro como a pedra, correndo como o cavalo e arrebentando, quando preciso, como uma pedra(...)"
Em vão. Não só o meu ponto de vista não foi compreendido, como as palavras belíssimas de Haroldo Bruno foram tidas como meras palavras. Indignei-me e cheguei a me revoltar com aquela ignorância.
A revolta só passou quando considerei as palavras em patamar de igualdade com os fatos. Sozinhas, são só "coisas" soltas, avulsas, desprovidas de circunstâncias. As tais circunstâncias que fazem as ações valerem algo e aumentarem (ou diminuírem?) de peso.
Então expliquei que Zé Grande, o personagem de Haroldo Bruno, era moço humilde que partira em longa jornada no rastro de sua amada sequestrada num evento mágico sem grandes pistas. Suas únicas motivações foram a enorme saudade que sentia dela e a certeza de que ela não queria ir embora.
Declamei de novo: "(...) estão hesitando se atravessam ou não a linha dividindo a sombra imprecisa em que vivem e o claro absoluto que se anuncia(...)" Foi suficiente para que, pelo menos, pensassem a respeito desta narrativa que descrevia a dúvida do protagonista e pudessem enxergar ali certa parecença com o próprio cotidiano.
Não era ignorância, felizmente. Não dessa vez. É que fora do contexto o avulso é vão. Tanto por parecer à toa quanto por representar muito mais um espaço a ser ocupado do que algo que ocupa algum lugar no espaço.
Fora do contexto, tudo é nada.


OBS: Trechos de "O misterioso rapto de Flor-do-Sereno" de Haroldo Bruno. Tocante. Recomendo.

02 abril 2009

Impressões passadas...


Começou logo que ela acordou. Uma vontade sem tamanho de escrever que chegava a sufocar. Adiou por não ter a menor ideia do que escrever. Falta de inspiração. A mais pura e simples falta de inspiração!
Questionou como podia conviver com duas coisas tão adversas. Afinal, era tão grande o desejo de escrever e tão grande também era o vazio de ideias que não se angustiar era tarefa impossível.
Pegou uma folha de papel e ficou ali olhando. Escreveu uma frase e rabiscou. Outra frase e mais um rabisco. E assim foi durante a noite inteira, rabiscando numa única folha de papel.
No outro dia, a inspiração voltou e, tão logo teve tempo, sentou-se novamente para escrever. A folha rabiscada na noite anterior ainda estava lá.
Ela destacou, amassou e jogou no lixo. Pronta pra começar, deparou-se com a nova folha em branco, ansiosa por esquecer aquele momento de falta de inspiração. Não demorou a perceber que ainda não era possível esquecer o dia anterior.
Lá estavam as marcas dos rabiscos de ontem. Não tinha cor, é verdade, mas eram bem visíveis. Podia escolher entre escrever por cima ou procurar uma folha que não tivesse marcas.
Tentou escrever por cima, mas o resultado não a deixou satisfeita. As marcas no papel eram muito evidentes e ela mudou de ideia. Principalmente quando notou que uma só noite de rabiscos comprometiam várias das folhas que se seguiam.
Uma a uma, as páginas marcadas pela impressão daquele dia ruim foram destacadas, amassadas e jogadas no lixo. Não serviam pra nada, a não ser para lembrar um dia de pouca inspiração.
Já pronta pra escrever e com folhas livres de impressões passadas, deu vazão à inspiração. Mas antes, colocou uma proteção para preservar suas impressões futuras. Afinal, não queria passar a vida inteira destacando, amassando e jogando papéis no lixo.



"Embora ninguém possa voltar atrás e fazer um novo começo, qualquer um pode começar agora e fazer um novo fim."
Chico Xavier




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26 março 2009

Tudo o que uma mulher quer...

Tudo que uma mulher quer de um homem é uma mão...

...firme pra segurar num passeio pelo parque.
...atenciosa que lhe limpe a bochecha suja de sorvete.
...quente pra apertar durante o filme de terror.
...educada que a conduza numa dança gostosa.
...gelada que lhe provoque arrepios no pescoço.
...atrevida que lhe entre despercebida pela calcinha.
...insistente que lhe segure o seio durante o sono.
...lisa que lhe ensaboe o corpo num banho relaxante.
...jeitosa que lhe faça cafuné no sofá da sala.
...esperta que desista de segurar o controle remoto pra segurar a dela.
... dócil que nunca se levante pra ela nem a machuque.
...forte que a ajude com as sacolas.
... gentil que lhe traga rosas vermelhas.
...paciente que se coloque sobre uma dor dela.
...apaixonada que lhe tire uma mecha de cabelo dos olhos.
...cega que não lhe veja as celulites, estrias e imperfeições afins.
...emocionada que acaricie o barrigão de grávida dela.
...corajosa que segure sem receio o filho dela.
...versátil que não se importe em ajudá-la com a louça.
...inteligente que lhe tire as roupas na velocidade certa.
...sensata que saiba a hora de se aproximar e de se afastar.
... saudosa que não suporte muito tempo longe da mão dela.
...uma mão enrugada que carregue no dedo anelar esquerdo uma aliança com o nome dela e data de cinquenta anos atrás.

Ah!! Os milagres que uma mão pode fazer...
Uma mão!
Só uma mão...

19 março 2009

Por que o cafajeste sempre ganha do bonzinho?




Corre a boca pequena que mulher adora um cafajeste. Longe de mim "desdizer" a máxima, até porque o alvo do único amor verdadeiro que já senti nos meus vinte e sete anos era um tremendo exemplo da classe dos cafas. Apesar disso, discordo totalmente da ideia de que preferimos os "homens maus".
Seria muita incoerência, já que, geralmente, queremos um cara legal, inteligente, gentil, respeitador, engraçado e desencanado na cama (ou qualquer outro lugar!). Então, porque os cafas levam a melhor em cima dos bonzinhos?
Depois de queimar os meus neurônios (sim, eu os possuo, apesar do que dizem em contrário sobre o sexo feminino!), elaborei uma teoria que faz muito sentido dentro do contexto de hipocrisia que se observa nos dias atuais.
Gostamos dos bonzinhos sim. Eles geralmente nos dão carinho, segurança, atenção, respeito e, ao contrário do que dizem os "caras maus", conseguem, SIM, nos fazer ter orgasmos sensacionais. Mas nunca pensamos que podem nos magoar com mentiras e atitudes típicas do cafajeste. E aí começa a diferença. Sutil, mas determinante no que se refere à nossa tão falada " preferência" pelos cafas.
Você não espera que um cara legal minta, traia, trate mal ou com menos carinho que o merecido. E quando ele faz isso, a decepção é grande demais. O tombo é inesperado e os "machucados" também. Nessa, os bonzinhos levam a pior.
Lendo o "Manual do cafajeste - para mulheres" tive esse estalo. Ele é cara de pau, descarado mesmo, quando se refere às mulheres que são ou podem ser importantes, às que ele só pega para um "lanchinho" (expressão que ele usa muito, para desespero das suas peguetes) e ao seu total desinteresse por relacionamentos sérios.
Mesmo assim, ele tem centenas de mulheres loucas para conhecê-lo. E ganhou uma fã até em mim, que cheguei até a me indignar em alguns posts, mas gostei da abordagem honesta dele. E porque ele é tão interessante? Simples: ele não mente. Só isso. Puro e simples!
Daí eu descobri que é esse o motivo pelo qual os cafas são mais requisitados. Porque não mentem, porque já sabemos o que esperar deles. E se por acaso nos apaixonamos perdidamente, problema nosso, ele não prometeu nada. Nós é que viajamos!
O bonzinho não dá pinta de que vai ser infiel, de que vai te deixar de lado . E quando ele faz isso, dá um tombo na mulher, que fica se sentindo uma idiota e se perguntando como pôde ter acreditado na carinha de santo do cara. E falo "de cadeira"porque já namorei bonzinho que me derrubou e cafa que comeu na minha mão. Porque sabendo o que esperar eu sabia como agir e me preservar. E não me abria tanto.
Falei de hipocrisia, porque, particularmente, penso que todo mundo vai mentir, trair ou dar pouca atenção em algum momento. Até o bonzinho. Mas se eu não tiver a ilusão de que vai ser diferente disso, o susto é menor. Faz sentido?
O segredo é não mentir, não ser leviano com os sentimento dos outros e considerar a escrita de Antoine de Saint-Exupéry: " Tu te tornas eternamente responsável pelo que cativas."
Eternamente. Ponto.

OBS: Pra quem se interessou, o link do blog Manual do cafajeste - para mulheres é http://www.manualdocafajeste.com/. Muito engraçado, divertido! Recomendo.


Dedicado ao meu primeiro namorado, o maior dos cafajestes, que me fez parar de acreditar até nos bonzinhos...

27 fevereiro 2009

Amor de carnaval...



Uma pergunta não quer calar hoje no meu pensamento: quanto tempo dura um amor ou uma paixão?
Como prever até quando contaremos com o abraço carinhoso, o cafuné tranquilizador, o sexo do jeito que a gente gosta, a conversa sem hora pra acabar, o silêncio natural (e tão gostoso) entre os amantes, enfim essas coisas que só são possíveis quando se está apaixonado ou amando alguém?
Difícil essa resposta. Não somos senhores dos nossos próprios sentimentos. Nem do sentimento dos outros. E isso é uma pena, porque em certos momentos as pessoas nos parecem tão próximas que carece perguntar por que demoramos tanto a encontrá-las. Que as semelhanças são tão numerosas e as diferenças tão insignificantes a ponto de nos enxergarmos no outro. Daí, desistir é ruim, mesmo que seja tudo muito recente.
Eu não entendo a paixão. Ela vem avassaladora, surpreendendo e varrendo todo tipo de certeza e dúvida. Sim, uma paixão não deixa pedra sobre pedra, manda embora todas as nossas dúvidas e certezas e só conseguimos pensar no foco do sentimento.
Isso é engraçado! Amigos não nos suportam repetindo sempre o mesmo nome, narrando sempre as mesmas histórias que, na verdade, só são lindas e interessantes pra nós mesmos. Mas insistimos em repetir pra tentar fazer compreender o que o outro nos faz sentir. E é triste porque repetir gera mais expectativa. Em nós e nos outros.
E quando tudo acaba, geralmente inexplicável como começou, vem as perguntas: "Mas e aquela paixão toda, onde foi parar?" Não sabemos e chegamos com isso a duvidar que tenha existido de fato algum sentimento mais forte, definitivo, relevante.
Não deveríamos nos apaixonar. Como bichos seríamos menos frustrados. E não estaríamos tão vulneráveis a ter um amor como dizem por aí de carnaval. Aliás, essa expressão já é confusa. No Brasil, por exemplo, existe carnaval de tudo que é duração. Eu queria ter um amor de carnaval da Bahia, se pudesse escolher. Rsrsrs...
Não importa o quanto dure. No fundo todo amor é de carnaval, ou seja, acaba.




OBS: Dedicado a todo mundo sabe quem e por quê. Rsrsrsrs...

04 fevereiro 2009

Matemática feminina


Há uma velha máxima que corre por aí que mulheres não são boas em matemática. Injusta, muita injusta. E os fatos provam isso de forma indiscutível.
Passamos a vida lidando com números e, em muitos momentos, sem margem pra erro.
Exemplos? Ah existem muitos. Vamos lá...
Primeiro, aos 9 anos alguém nos conta que vamos menstruar mensalmente e nós, bobinhas, ficamos esperando ansiosas que isso aconteça. Aos 12 anos ouvimos do papai que teremos que esperar uns 3 anos para ter um namorado. Já começamos a contar a partir daí. E o tempo nem passa depressa, então os 3 anos parecem séculos.
Depois da primeira menstruação, que acontece de 28 em 28 dias em média, aprendemos como funciona o ciclo. As contas a partir desse momento só aumentam. O nosso dia fértil é o 14º a partir do início do ciclo. Essa última conta não permite enganos, senão 9 meses depois de uma relação que pode durar de 5 (fala sério!) a 30 minutos (Uh!), teremos um lindo bebê que vai nos dar dor de cabeça pra sempre (isso também é numérico, embora indeterminado). As desprevenidas (isso ainda existe?) tem que fazer mais contas do que as prevenidas.
Claro, quem toma pílula também faz conta. São 21 comprimidos ininterruptos, diariamente, no mesmo horário, com sete dias de pausa pra depois começar tudo de novo. Ah e não pode vomitar no período que compreende as 3 ou 4 horas seguintes à ingestão do comprimido. Mais números. E se a menstruação atrasa, aí é que passamos aperto contando os dias. E isso independe do fato de querermos ou não um filho.
Se você já está pensando em engravidar porque mexer com números dá trabalho, desista! Grávidas fazem muitas outras contas. Semanas de gestação, número de vezes que fez amor com o marido no mês (pra saber a quantas anda o interesse dele) e, na hora do parto, contrações (quantas são, de quantos em quantos minutos), quantos centímetros de dilatação, quantos dias de abstinência sexual etc.
Há um cálculo que nem todas fazem, mas ele é muito presente na vida de muitas. Quanto tempo esperar pra transar com o namorado novo, para apresentá-lo à família, para dizer que o ama, para esperar que ele melhore. Enfim, cálculos mais específicos presentes apenas no cotidiano de algumas.
Outra conta muito frequente é a das calorias. Umas mais, outras menos, mas todas fazem esse cálculo. Melhor fazer isso do que calcular quantos quilos a balança está mostrando a mais, quantos números aumentou a calça, quanto tempo de academia até recuperar a forma e, principalmente, quanto custa caro emagrecer hoje em dia.
As de idade mais avançada fazem conta também. Geralmente, calculam quanto tempo falta pra terminar o período refratário (espaço de tempo entre uma ereção e outra) do marido. Isso pode significar semanas ou até meses. KK!
De todos, o que é mais difícil é lembrar que tanto de mulheres a mais que homens existe no mundo. Porque daí a possibilidade de cálculos é infinita. Concorrência gera necessidade de estratégia e estratégia é matemática pura.
Alguém ainda ousa dizer que mulheres não entendem de números? Nosso cotidiano poderia nos dar o título de especialistas no assunto...

27 janeiro 2009

O sonho...


Sonhei que andava de patins. E andava divinamente. Deslizava como uma profissional, imaginando uma música que embalasse meus movimentos que eram, no sonho louco, perfeitos.
Sei lá de onde saiu isso. Nunca fui boa nesse brinquedo. Nem quando não tinha medo algum de cair, imagine agora que o chão ficou tão longe de mim.
Não entendi, mas me lembro da sensação. Liberdade, eu acho, ainda que me pareça piegas. E frescor. Freud explicaria, com certeza, com base nesse primeiro parágrafo. Mas a explicação é mais complexa do que um simples desejo de liberdade e refresco. É além...
Tão difícil olhar pra dentro de si e assumir quais são os verdadeiros motivos de cada atitude, cada ação e reação. Nem naqueles dias de mais introspecção, a coisa fica fácil. Como se os desejos (todos) virassem, num repente, inimigos que precisam ser combatidos. À custa das horas felizes, dos momentos de sossego. Como se preferíssemos viver num estado constante de busca pelo que queremos. Como se encontrar o que se deseja fosse insuportável...
Por que não estamos habituados à felicidade? Ninguém ainda encontrou resposta satisfatória para essa pergunta. Aliás, todas as respostas são raras no que se refere ao ser humano, este bicho em constante questionamento que nunca descobre a que veio. Este bicho que vive empacado nos bloqueios que ele mesmo cria pra si.
Estranho acordar assim por causa de um simples sonho com um brinquedo da infância. Talvez eles representem o que eu nunca consegui fazer, mas sempre tive vontade. Andar de patins sempre foi pra mim algo lindo de olhar. E uma beleza da qual eu queria participar. Entretanto, eu nunca consegui.
E tem tanta coisa na atual conjuntura dos fatos que eu sinto muita vontade de fazer e não consigo! Saber o significado não resolve. Afinal, de que me adianta saber o que incomoda, se não sei como ou o que fazer pra mudar isso?
Buscar respostas parece uma constante no ser humano. Aceitá-las deveria ser seu costume também. Não dá pra mudar o que já começou errado. E o que está errado é a razão. Melhor ser irracional pra não ter que ficar questionando e contestando tudo. Alguém se habilita a regredir na evolução? Eu faria isso de bom grado, sem dó, sem pensar em nada. Só faria.
Não quero mais buscar respostas que nunca chegam. Tampouco quero passar outra noite em claro com medo de sonhar com o que desejo e jamais poderei ter ou experimentar. É cruel, doloroso e completamente desnecessário...


" A felicidade deveria ser um destino e não uma viagem..."




06 janeiro 2009

Rasgando os planos...


Homens interessantes e confiáveis são artigos raros no mercado! Encontrá-los tornou-se tarefa quase impossível, mesmo para as mais espertinhas e duronas.
Por isso, todas as mulheres convivem com a eterna dúvida: como determinar se um homem é confiável ou não?
Sim, porque a confiança se constrói nos primeiros pequenos detalhes, nas primeiras pequenas promessas, pra depois ( somente depois) ser testada nas situações mais difíceis. E os homens tem o hábito de confundir as mulheres.
São pequenas coisas que colocam em dúvida o real interesse do outro e não permitem que elas descubram se podem, se querem, se devem acreditar no que lhes é dito. Inclui-se aqui encontros adiados sem aviso prévio (ou nenhum), presentes não entregues na data combinada e, principalmente, palavras que, na necessidade de demonstração, não saem do plano das ideias.
Mulheres amam fazer planos, mas gostam mais de visualizá-los concretizados. Senão o interesse diminui, até desaparecer. Ninguém gosta de esperar pelo que não vem nunca.
Vontades devem ser satisfeitas, especialmente se são fortes. Homens não parecem ter essa noção. Talvez isso se dê porque nós, mulheres bem resolvidas, não deixamos nada pra depois. Se é importante, nós fazemos o mais rápido possível e ponto. Daí a razão de não entendermos como conseguem nos deixar pra depois, uma, duas, três vezes. Mesmo que não estejamos apaixonadas. Nossa atitude inicial é descobrir o que podemos ou não sentir.
Mulheres são seres ininteligíveis, mas suas regras são muito fáceis de seguir, depois de compreendidas. Basta fazer com que se sintam importantes e especiais e elas saberão se podem, se querem, se devem deixar alguém chegar perto. Ou não...